terça-feira, 11 de janeiro de 2011

historia da televisão brasileira

A pré-estréia da Televisão no Brasil aconteceu no dia 3 de Abril de 1950. Foi com uma  apresentação de Frei José Mojica e as imagens foram assistidas em aparelhos instalados no saguão dos Diários Associados.
No dia 10 de setembro foi transmitido um filme onde Getúlio Vargas falava sobre seu retorno à vida política.  
Finalmente no dia 18 de setembro a TV Tupi de São Paulo, PRF-3 TV, canal 3, foi inaugurada.  Era a concretização do sonho de um pioneiro da comunicação no Brasil: Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, que já controlava uma cadeia de jornais e emissoras de rádio chamada Diários Associados.
Chateaubriand havia encomendado à RCA equipamento para duas emissoras de televisão. A antena foi instalada no edifício do Banco do Estado de São Paulo.
"TV na Taba", apresentado por Homero Silva, foi o primeiro programa transmitido. Teve a participação de Lima Duarte, Hebe Camargo, Mazzaropi, Ciccilo, Lia Aguiar, Vadeco, Ivon Cury, Lolita Rodrigues, Wilma Bentivegna, Aurélio Campos, do jogador Baltazar e da orquestra de George Henri.
Logo na estréia a TV Brasileira teve de mostrar seu poder de improviso. Eram apenas duas câmeras e horas antes do começo da transmissão uma pifou. Os técnicos americanos aconselharam que a "festa" fosse adiada, mas lá estava o diretor Cassiano Gabus Mendes, outro pioneiro da TV brasileira, que decidiu ir ao ar mesmo só com uma câmera.   
A transmissão foi assistida através de 200 aparelhos importados por Chateaubriand e espalhados pela cidade.
Logo, com ajuda dos profissionais do rádio, jornal e do teatro, as transmissões aconteceiam das 18 às 23h e foi colocado no ar o primeiro telejornal: "Imagens do Dia".
Os primeiro anunciantes da Tv Brasileira foram : Sul América Seguros, Antárctica, Moinho Santista e empresas Pignatari (Prata Wolf).

Já no ano seguinte a inauguração existiam, aproximadamente, 7 mil aparelhos de televisão entre São Paulo e Rio de Janeiro.
No dia 20 de Janeiro, dia de  São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, a TV Tupi da "Cidade Maravilhosa" inicia suas operações.
Começam também a fabricar no Brasil aparelhos receptores de TV. Os primeiros foram da marca "Invictus", de Bernardo Kocubej.
"Sua vida me pertence", a primeira telenovela brasileira, vai ao ar. Escrita por Walter Foster e estrelada pelo próprio Foster, Lia de Aguiar, Vida Alves, José Parisi e Dionísio de Azevedo. Eram dois capítulos por semana transmitidos pela Tupi.

Dia 14 de Março a TV Paulista, canal 5 de São Paulo, pertencente as Organizações Victor Costa, é inaugurada.
Na Tupi já estavam no ar os seguintes programas: "TV de Vanguarda", o primeiro e mais importante teleteatro da TV brasileira, "Clube dos Artistas", único dos programas pioneiros a ficar no ar até 1980 e a primeira adaptação do "Sítio do Pica-Pau Amarelo" de Monteiro Lobato, escrita por Tatiana Belinky e dirigida por Júlio Gouveia.

Um sucesso do rádio encanta e faz sucesso na TV: "Repórter Esso". Foi ao ar pela primeira vez no dia 17 de junho.
Em 27 de Setembro foi inaugurada a TV Record de São Paulo.
Na TV Paulista vai ao ar o primeiro "circo" na TV: "Circo do Arrelia", que depois foi apresentado pela TV Record; e "A Praça da Alegria", apresentada por Manoel de Nóbrega.

O primeiro seriado produzido no Brasil vai ao ar. Era estrelado por Ayres Campos e Idalina de Oliveira, foi exibido na TV Record.  Era o "Capitão 7".

Em 18 de Setembro de 1955 acontece outro marco importante para a TV Brasileira. esta é a data da primeira transmissão externa direta com a transmissão do jogo Santos X  Palmeiras, na Vila Belmiro, pela TV Record..
Na Tupi faz sucesso "O Céu é o Limite", de J. Silvestre, precursor de todos os programas de perguntas e respostas da TV brasileira. 
Para a criançada tinha na TV Record a "Grande Gincana Kibon", iniciado em 17 de Abril daquele ano, ficando no ar por 16 anos.
A Tv no Brasil crescia a passos largos. No dia 15 de julho foi inaugurada mais uma emissora: a TV Rio, de João Batista do Amaral e Paulo Machado. Em 8 de setembro é inalgurada a TV Itacolomy de Belo Horizonte.

O sucesso da Tv é tanto que o mercado publicitário investiu pesado. Já em 1956 as três emissoras de TV de São Paulo arrecadavam mais que as treze emissoras de rádio. A essa altura a TV atingia a cerca de um milhão e meio de telespectadores em todo o Brasil.
Mais nove estações da Rede dos Diários Associados (Assis Chateaubriand) são inauguradas: Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Campina Grande, Fortaleza, São Luís, Belém e Goiânia.
"Poliana", a primeira telenovela infantil vai ao ar pela Tupi, com adaptação de Tatiana Belinky e direção de Júlio Gouveia. 
Também a Tupi realiza neste ano a primeira transmissão interestadual. Foi o jogo Brasil x Itália, direto do Maracanã no Rio de Janeiro para São Paulo. Para realizar a transmissão o técnico da Tupi, Reinaldo Paim, construiu três antenas, utilizando tela de galinheiro.

Em 11 de dezembro, começam as transmissões para o interior de São Paulo.



Em 1960 já existiam 200 mil aparelhos receptores de televisão.
Em maio acontece o primeiro incêndio na Tv Record.
O videoteipe passa a ser utilizado com mais regularidade no programa "Chico Anísio Show", dirigido por Carlos Manga. As propagandas que eram apresentadas ao vivo passam a ser gravadas.
Com a inauguração de Brasília, transmitida para todo o Brasil, o governo começa a investir nas transmissões à distância para atingir um maior número de telespectadores. As imagens chegam a São Paulo, Rio e Belo Horizonte e a TV Tupi foi a primeira emissora a ocupar um link e transmitir em cadeia no Brasil, através de 1.200 km, com 7 torres de transmissão.
O primeiro teleteatro a usar o VT foi "Hamlet", de William Shakespeare, adaptado e dirigido por Dionísio de Azevedo, da TV Tupi.
A TV Cultura junto com a Secretaria de Educação de São Paulo colocam no ar o primeiro Telecurso, preparando candidatos para o exame de admissão ao ginásio.

Através de decreto federal, o intervalo comercial é fixado em três minutos e é proíbida a participação de menores de 18 anos em programação de debates.

É instituído o "Código Brasileiro de Telecomunicações" e  criado o Conselho Nacional de Telecomunicações (CONTEL), autorizando o governo federal a constituir uma empresa pública, Empresa Brasileira de Telecomunicações.
É criada a ABERT, Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão. Seu  primeiro presidente foi o deputado João Calmon. A primeira conquista foi a mudança no prazo de concessão, que era de 3 anos e passa a ser de 15 anos.
Jânio Quadros obriga , por decreto, a dublagem de todos os filmes transmitidos pela TV. 
Também por decreto era obrigatória a transmissão diária de 25 minutos de filmes brasileiros.
É inaugurada a TV Gaúcha, em Porto Alegre.
Na TV Paulista,  Sílvio Santos faz sua estréia com o programa dominical "Vamos Brincar de Forca ?", com duas horas de duração.
Na TV Rio fazem sucesso os seguintes programas: "O Riso é o Limite", humorístico, líder de audiência; "Teatro Moinho de Ouro", produção de Vitor Berbara; "Praça da Alegria" da TV Paulista com Manuel da Nóbrega;  "Preto no Branco" com a voz de Sargentelli; "Moacyr Franco Show"; e "Chacrinha".
A TV Excelsior inicia sua grande arrancada rumo à esdpecialização em dramaturgia, adquirindo modernos equipamentos, contratando os melhores profissionais, como Carlos Manga, e construindo um grande estúdio no bairro da Vila Guilherme, em São Paulo.

Decreto regulamenta a programação ao vivo da TV.


A TV Excelsior também apresentou o "1º Festival da Música Popular Brasileira". A música vencedora foi "Arrastão", de Edu lobo, interpretada por Elis Regina.
Investimentos do Estado, com o dinheiro arrecadado pelo Fundo Nacional de Telecomunicações e gerenciado pela recém-criada EMBRATEL, possibilitaram a construção de um sistema de microondas, crédito para a compra de receptores;  infra-estrutura para a sua expansão.
Inaugurada a TV Globo do Rio de Janeiro, canal 4 e às 11h do dia 26 de abril de 1965, a Rede Globo de Televisão entra no ar também em São Paulo, através do Canal 5 (antiga TV Paulista, adquirida do grupo Victor Costa).
Na Record vai ao ar o musical "O Fino da Bossa", com Elis Regina e Jair Rodrigues,  marcando o sucesso dos musicais.
Em Agosto, mais precisamente no dia 22, também a Record põe no ar o programa "Jovem Guarda", com Roberto Carlos.

Hebe Camargo estréia, em 10 de abril, seu programa dominical na TV Record e é líder de audiência.
Mais um incêndio, em 29 de Julho, atinge os estúdios da TV Record de São Paulo. Mesmo assim é realizado o "2º Festival de Música Popular Brasileira". Venceram: Chico Buarque com "A Banda" e Geraldo Vandré com "Disparada".
A Rede Globo passa a ser dirigida por Walter Clark, vindo da Tv Rio, que implementou um padrão de qualidade à emissora: o até hoje chamado "Padrão Globo".
Sílvio Santos apresenta na TV Globo o programa "Música e Alegria", com 4 horas de duração aos domingos.
Instalada uma CPI para investigar a associação da Rede Globo com o grupo americano Time Life, o que era proíbido pela legislação brasileira. As denúncias partiram do senador João Calmon, ligado às Emissoras Associadas (TV Tupi).
A Globo entra firme nas novelas e Gloria Magadan, autora cubana, escreveu para a emissora "Eu compro esta mulher" e "O Sheik de Agadir".
Incêndio na TV Excelsior. Crise financeira na emissora, que chega a atrasar em dois meses o pagamento dos funcionários.

É criado o Ministério das Comunicações.
Inaugurada a TV Bandeirantes  de São Paulo.
Na TV Record fazem sucesso:  os humorísticos "Família Trapo""Praça da Alegria", de Manoel da Nóbrega, que antes era exibido pela TV Paulista.
"Os Miseráveis", a primeira novela da Bandeirantes, vai ao ar. É uma  adaptação de Walter Negrão e Chico de Assis. Os capítulos tinham 45 minutos de duração.
A Globo populariza a programação, apresentando programas de auditório (Sílvio Santos, Chacrinha e Dercy Gonçalves).
A CPI da Câmara dos Deputados que investigou o caso Globo/Time-Life apresenta o parecer de seu relator Djalma Marinho, considerando que o acordo da Globo com o grupo americano infringia o artigo 160 da Constituição da República, no entanto em março deste mesmo ano, o presidente Castelo Branco e o procurador-geral da República consideraram a operação legal, fechando o inquérito e declarando infundadas as acusações.

Inauguração da Rede Nacional de Microondas sistema de transmissão por satélites. Telstar.
O programa dominical de Silvio Santos passa a ter seis horas de duração.
Incêndio na TV Record.
A TV Record coloca no ar o programa "Quem Tem Medo da Verdade", sob o comando de Carlos Manga. No programa artistas eram  julgados por problemas pessoais.
Na Globo fazem sucesso: "Dercy de Verdade", no Rio; "Casamento na TV" e "SOS Amor", ambos apresentados por Raul Longras e "O Homem de Sapato Branco", em São Paulo.
Em setembro, sob pressão do senador João Calmon e Carlos Lacerda, o presidente Costa e Silva considera ilegal o acordo entre a Globo e a Time-Life. A emissora é obrigada a se nacionalizar.
O lançamento da nave espacial Apollo IX é transmitido, via satélite pela TV Globo.
Na Tupi os destaques eram: "Domingo de Verdade", comandado por J. Silvestre e  "Os Sete Samurais", onde todos os profissionais, incluindo os técnicos, se vestiam de samurais.

A TV Cultura de São Paulo passa ao controle da Fundação Padre Anchieta, Centro de Rádio e TV Educativa do Estado de São Paulo.
O Brasil inaugura a Estação Terrena de Tanguá e a Estação Rastreadora de Itaboraí, no Rio de Janeiro, para transmissões internacionais via satélite. Através delas foi possível a transmissão da chegada do homem à Lua pela TV Globo.
Foi um ano marcado também por incêndios nas sedes das emissoras:
Incêndio no Teatro Consolação da TV Record.
Incêndio na TV Globo de São Paulo. Por causa do incêndio a emissora passou a centralizar no Rio de Janeiro toda a produção de programação da Rede.
Incêndio da TV Bandeirantes.
Incêndio no Teatro Paramount da TV Record.
Em 1º de Setembro, estréia o "Jornal Nacional", da Rede Globo, marcando o início das operações em rede no Brasil. O noticiário era apresentado por Heron Domingues e Léo Batista. Foi o primeiro programa regular a ser transmitido em rede nacional  e implementou um novo estilo de jornalismo na TV brasileira.
A Rede Globo assume a liderança absoluta de audiência.
No ar, a novela "Véu de Noiva" faz sucesso na Globo.
A Time-Life retira-se da Globo.
Na TV Tupi o sucesso era a novela "Beto Rockfeller", idéia de Cassiano Gabus Mendes, escrita por Bráulio Pedroso e dirigida por Lima Duarte e Walter Avancini. Participaram deste sucesso, lembrado até hoje:  Luiz Gustavo, lrene Ravache, Bete Mendes e Débora Duarte entr outros. Foi a primeira vez que se incorporava a realidade (ruas e edifícios da cidade e acontecimnetos reais) com cenário e pano de fundo de uma novela.
Após 16 pedidos de falência, em 1969, o Grupo Simonsen não consegue repassar a TV Excelsior e a emissora  é extinta, depois de 10 anos no ar.

O Censo de 1970 aponta o número de aparelhos de televisão chegou a 4 milhões de lares, atingindo, aproximadamente, a 25 milhões de telespectadores.
Incêndio na TV Globo do Rio de Janeiro, no dia 10 de Janeiro.
Faz sucesso na Globo a novela "Irmãos Coragem".
Inaugurada em 25 de Janeiro a TV Gazeta de São Paulo.
Incêndio nos estúdios da Vila Guilherme da TV Excelsior, em 17 de Julho.
Cassada a concessão da TV Excelsior, canal 9 de São Paulo, em 28 de setembro.

Incêndio na TV Globo do Rio de Janeiro, em 28 de Outubro.
Começa a preparação para a implantação da Tv a cores. Adaptação de equipamentos e treinamento de técnicos.
O Ministério das Comunicações baixa decreto que regulamenta 3 minutos de comercial para cada quinze minutos de programação.
Incêndio na TV Record.
A novela "Meu Primeiro Amor", da TV Globo, lança o merchandising, com o lançamento de uma nova linha de bicicletas.

O ano da "tv a cores" no Brasil. Em 31 de Março acontece a primeira transmissão a cores da TV brasileira: a Festa da Uva de Caxias do Sul / RS.  O sistema adotado no país é o PAL-M e a TV Globo é a mais adiantada na implantação das imagens coloridas.
Regulamentada pelo PRONTEL (Programa Nacional de Telecomunicações) a formação de redes de TV.

Vai ao ar pela primeira vez o programa "Fantástico", da Rede Globo. Mesclando  informação e variedades fez grande sucesso.
O programa "Caso Especial - Carnê de Baile", da Globo, marca o início das transmissões de programas com imagens coloridas. As emissoras tiveram que melhorar a qualidade de cenários, figurinos, maquiagens, vinhetas, etc, pois a transmissão colorida revelava mais imperfeições que a transmissão em P&B.
"O Bem Amado" da TV Globo foi a primeira novela colorida.
A  Tupi começa a trabalhar em rede, contando com um maior número de emissoras que a Globo.
Flávio Cavalcanti, pela TV Tupi, lidera a audiência aos domingos à noite. Polêmico, o programa chega a ser suspenso por 60 dias, devido a dois assuntos abordados: o português que mora na ilha de Marajó e tem um harém, incluindo a própria filha e o marido que empresta a mulher para o amigo porque está impotente).



Inaugurada em janeiro a TV Studios (TVS), no Rio de Janeiro, embrião do SBT, de propriedade de Sílvio Santos..
Incêndio na TV Globo do Rio de Janeiro.
O "Programa Silvio Santos" deixa a Rede Globo, em Agosto, e passa a ser transmitido pela Rede Tupi e TVS.
Roberto Marinho recebe o prêmio internacional Emmy, como Homem Destaque da Televisão.

Decreto regulamenta a propaganda governamental gratuita.
Em 7 de Março, a Globo coloca no ar a versão de maior audiência do "Sitio do Pica-Pau Amarelo", telenovela infantil.
Mauro Salles assume a vice-presidência dos Diários e Emissoras Associadas (Rede Tupi) para tentar salvar a empresa que estava à beira da falência. Ele se afasta do cargo dois meses depois.
Inaugurada a TV Guanabara do Rio de Janeiro, fazendo com que a Bandeirantes inicie a formação de sua Rede.
É cassada a concessão da TV Rio.
Sílvio Santos se associa ao Grupo Paulo Machado de Carvalho na TV Record.
Na TV Tupi a novela ds 20h, "O Profeta", faz sucesso e preocupa a TV Globo.
Mais um incêndio na TV Record. A programação da emissora, sériamente prejudicada, acaba sendo mantida com filmes.

O Telecurso 2º grau, produzido pela Fundação Roberto Marinho e Fundação Padre Anchieta, vai ao ar é torna-se o programa educativo de maior sucesso na TV brasileira.

A Rede Globo coloca no ar as "Séries Brasileiras".
Carlos Augusto de Oliveira, o Guga, vai para a Bandeirantes, que inicia uma nova fase. O marco da mudança é a novela "Cara a Cara", de Vicente Sesso dirigida por Jardel Mello.

Final da censura oficial ao telejornalismo (3 de fevereiro).
Em 14 de Julho, sai do ar a primeira emissora inaugurada no país: a TV Tupi de São Paulo. É o fim da Rede Tupi de Televisão.   Permanecem no ar somente as TVs Brasília e Itapuã.
O Governo Federal anuncia em 23 de julho de 1980 a abertura de concorrência para a exploração de duas novas redes de TV.   Estavam em jogo as sete concessões que pertenciam à Tupi, mais duas que pertenciam à TV Excelsior de São Paulo e à TV Continental do Rio de Janeiro, também extintas. A primeira nova rede de televisão ficaria com quatro emissoras e a segunda com as outras cinco.
Início das operações do SBT – Sistema Brasileiro de Televisão.
Resultado da concorrência para as duas novas redes de TV:
Ficaram com o empresário Sílvio Santos as seguintes emissoras: Canal 04, de São Paulo; Canal 9, do Rio de Janeiro, Canal 05, de Porto Alegre; canal 02, de Belém.
A outra rede foi entregue ao empresário Adolpho Bloch: Canal 09, de São Paulo; Canal 06, do Rio de Janeiro; Canal 04, de Belo Horizonte; Canal 06, de Recife; e Canal 02, de Fortaleza.




domingo, 9 de janeiro de 2011

A origem da luz cinzenta na Lua crescent

Explicação sobre a luz cinzenta, que pode ser observada no início da Lua crescente; ainda, eventos astronômicos do mês.

Por Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
No início da Lua crescente, pode-se observar, além da região diretamente iluminada pelo Sol - um fino e delicado crescente -, todo o hemisfério lunar com um brilho muito difuso e tênue: é a luz cinzenta, assim chamada porque sua coloração lembra a tonalidade incandescente das cinzas. Esta luz permite ver todo o hemisfério lunar, mesmo quando só uma porção muito reduzida é iluminada pelo Sol. Os povos antigos ficavam perplexos com essa luz. Alguns acreditavam que a Lua fosse ligeiramente fosforescente.
Em conseqüência, essa luz própria possibilitava observar a totalidade do astro, numa época em que, segundo a teoria das fases lunares, só se visualizava uma região muito pequena da superfície lunar. Tal suposição não estava de acordo com o que ocorria durante os eclipses totais da Lua, pois o satélite jamais desaparecia completamente nessas ocasiões. Astrônomos como o grego Possidônio (135-51 a.C.) sugeriam que a matéria da Lua era diáfana, de tal modo que os raios solares ao penetrarem além da superfície diretamente iluminada se dispersavam, como os raios luminosos quando penetram no interior das nuvens.
Essa explicação foi defendida pelo matemático polonês Vitellus no século XIII e pelo astrônomo alemão Erasmus Reinhold (1511-1553), três séculos mais tarde. Já o célebre astrônomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601) dizia que o clarão tinha origem na luz de Vênus, que após iluminar a face oculta do nosso satélite se refletia em direção à Terra. Outros chegaram a atribuir o clarão à própria luz das estrelas. O problema só foi definitivamente resolvido em 1604, quando Johannes Kepler (1571-1630) divulgou a explicação de seu mestre de matemática, o alemão Michael Möstlin (1550-1631). Para ele, a verdadeira causa do fenômeno estava na luz solar que, após iluminar a Terra se refletia em direção à Lua, da qual retornava à Terra após uma segunda reflexão com o aspecto de uma luz incandescente. Na Itália, atribui-se essa hipótese a Leonardo da Vinci (1452-1519), que a teria elaborado em seus manuscritos. O grande mérito, no entanto, ficou mesmo com Möstlin, que apresentou suas observações antes que os cadernos e anotações davincianas fossem publicadas.
Na verdade, a luminosidade que aparece no lado não-iluminado do disco lunar, quando a Lua é visível sob a forma de um fino crescente, provém da luz que a Terra reflete sobre o disco lunar. As "fases" da Terra vistas da superfície lunar são complementares às fases da Lua. Assim, quando os habitantes da Terra vêem a Lua nova, os astronautas na Lua vêem a Terra cheia. À medida que a Lua cresce, esse brilho diminui. Em conseqüência, a intensidade da luz cinzenta depende não só da porção da Terra visível da Lua mas também do estado menos ou mais nebuloso da sua atmosfera.
Esta reflexão da luz solar pelo globo terrestre é bastante intensa se considerarmos que a extensão superficial da Terra é cerca de treze vezes superior à da superfície lunar. Ao aceitarmos a explicação de que a luz secundária é que permite ver a porção da Lua não-iluminada, constatamos que esse clarão vai diminuir de intensidade à medida que a Lua crescente no poente, após o pôr-do-sol, caminha para o plenilúnio. E irá aumentar no intervalo que vai do dia da Lua cheia até a minguante, quando no nascente ela desaparece de madrugada sob os efeitos dos raios do Sol.
As medidas da luz cinzenta permitem determinar a intensidade da luz terrestre como se a tivéssemos medido a partir da Lua. Sabendo qual é a fração da luz solar refletida pela superfície lunar, é fácil, com base na intensidade da luz cinzenta, deduzir a intensidade da luz terrestre. Por isso, sabia-se antes da chegada do homem à Lua que a Terra reenviava para o espaço cerca de 40% da luz incidente, numa coloração azulada. Isso foi confirmado mais tarde pelos satélites artificiais em órbita muito elevada. Os observadores da luz cinzenta estão habituados a notar que o crescente lunar parece sempre maior que a parte escura da Lua. Trata-se de uma ilusão de ótica, provocada pela irradiação que faz com que a região brilhante pareça maior que a escura.
O astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é membro da Comissão de Estrelas Múltiplas e Duplas, de História da Astronomia e de Asteróides e Cometas da União Astronômica Internacional.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

História das Copas do Mundo

De quatro em quatro anos, seleções de futebol de diversos países do mundo se reúnem para disputar a Copa do Mundo de Futebol. 
A competição foi criada pelo francês Jules Rimet, em 1928, após ter assumido o comando da instituição mais importante do futebol mundial: a FIFA ( Federation International Football Association).
A primeira edição da Copa do Mundo foi realizada no Uruguai em 1930. Contou com a participação de apenas 13 seleções, que foram convidadas pela FIFA, sem disputa de eliminatórias, como acontece atualmente. A seleção uruguaia sagrou-se campeã e pôde ficar, por quatro anos, com a taça Jules Rimet.
Nas duas copas seguintes (1934 e 1938) a Itália ficou com o título. Porém, entre os anos de 1942 e 1946, a competição foi suspensa em função da eclosão da Segunda Guerra Mundial.
Em 1950, o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo. Os brasileiros ficaram entusiasmados e confiantes no título. Com uma ótima equipe, o Brasil chegou à final contra o Uruguai. A final, realizada no recém construído Maracanã (Rio de Janeiro - RJ) teve a presença de aproximadamente 200 mil espectadores. Um simples empate daria o título ao Brasil, porém a celeste olímpica uruguaia conseguiu o que parecia impossível: venceu o Brasil por 2 a 1 e tornou-se campeã. O Maracanã se calou e o choro tomou conta do país do futebol.
O Brasil sentiria o gosto de erguer a taça pela primeira vez em 1958, na copa disputada na Suécia. Neste ano, apareceu para o mundo, jogando pela seleção brasileira, aquele que seria considerado o melhor jogador de futebol de todos os tempos: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.
Quatro anos após a conquista na Suécia, o Brasil voltou a provar o gostinho do título. Em 1962, no Chile, a seleção brasileira conquistou pela segunda vez a taça.
Em 1970, no México, com uma equipe formada por excelentes jogadores ( Pelé, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto Torres entre outros), o Brasil tornou-se pela terceira vez campeão do mundo ao vencer a Itália por 4 a 1. Ao tornar-se tricampeão, o Brasil ganhou o direito de ficar em definitivo com a posse da taça Jules Rimet.
Após o título de 1970, o Brasil entrou num jejum de 24 anos sem título. A conquista voltou a ocorrer em 1994, na Copa do Mundo dos Estados Unidos. Liderada pelo artilheiro Romário, nossa seleção venceu a Itália numa emocionante disputa por pênaltis. Quatro anos depois, o Brasil chegaria novamente a final, porém perderia o título para o pais anfitrião: a França.
Em 2002, na Copa do Mundo do Japão / Coréia do Sul, liderada pelo goleador Ronaldo, o Brasil sagrou-se pentacampeão ao derrotar a seleção da Alemanha por 2 a 0.
Em 2006, foi realizada a Copa do Mundo da Alemanha. A competição retornou para os gramados da Europa. O evento foi muito disputado e repleto de emoções, como sempre foi. A Itália sagrou-se campeã ao derrotar, na final, a França pelo placar de 5 a 3 nos pênaltis. No tempo normal, o jogo terminou empatado em 1 a 1.
Em 2010, pela primeira vez na história, a Copa do Mundo foi realizada no continente africano. A África do Sul foi a sede do evento que ocorreu entre os dias 11 de junho e 11 de julho de 2010. A Espanha tornou-se, pela primeira vez na História, campeã mundial.
Em 2014, a Copa do Mundo será realizada no Brasil. O evento retornará ao território brasileiro após 64 anos, pois foi em 1950 que ocorreu a última copa no Brasil.
Curiosidades sobre a História da Copa do Mundo de Futebol 
- O recorde de gols numa mesma Copa é do francês Fontaine com 13 gols (marcados na Copa de 1958). Já o recorde geral da História de todas as Copas é do brasileiro Ronaldo com 15 gols.
- O Brasil é o único país que participou de todas as Copas do Mundo;
- O Brasil é o país com mais títulos conquistados: total de cinco;
- A Itália foi quatro vezes campeã mundial. A Alemanha foi três vezes, seguida das bi-campeãs Argentina e Uruguai. Inglaterra e França possuem apenas um título cada;
- A Copa do Mundo é o segundo maior evento esportivo do planeta;
- As Copas do Mundo da França (1998) e Japão / Coréia do Sul (2002) foram as únicas que tiveram a participação de 32 seleções. A Copa do Mundo da Alemanha 2006 teve o mesmo número de seleções participantes.
Os campeões de todos os tempos
Uruguai (1930) / Itália (1934) / Itália (1938) / Uruguai (1950) / Alemanha (1954) / Brasil (1958) / Brasil ( 1962) / Inglaterra ( 1966) / Brasil (1970) / Alemanha (1974) / Argentina (1978) / Itália (1982) / Argentina (1986) / Alemanha (1990) / Brasil (1994) / França (1998) / Brasil (2002), Itália (2006), Espanha (2010).
Sugestões de leitura:
- Os 50 Maiores Jogos das Copas do Mundo - Paulo Vinicius Coelho, Panda Books
- Moderno Almanaque das Copas do Mundo - Gláucia Parreira, Yendis
- Copas do Mundo: Histórias e Estatísticas - Luiz Fernando Baggio Monclar, Axcell Books
- Brasil em Copas do Mundo - Barbosa Filho, Panoramas do Saber.
 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Amigos até que a morte nos separe

A humanidade mantém laços afetivos
mais fortes com os cães do que com
qualquer outro bicho. A ciência vem
desvendando as razões dessa história
de amor que já dura 12 000 anos

Jerônimo Teixeira

AP
Em um dos trechos mais tocantes do livro Marley & Eu, o jornalista americano John Grogan narra como o cão de estimação do título reagiu quando sua mulher, Jenny, sofreu um aborto espontâneo. Marley aproximou-se cabisbaixo da dona e deixou-se abraçar por ela – era como se tivesse sido contagiado por sua tristeza. A relação entre o labrador e a família de Grogan é a matéria-prima do livro – e o imenso interesse despertado pelo mesmo constitui um ótimo indício de como os seres humanos compartilham esse apego pela cachorrada. Mais de 3 milhões de exemplares de Marley & Eu foram vendidos no mundo desde seu lançamento, em outubro de 2005. No Brasil, foram 140.000 exemplares – o suficiente para fazer dele o primeiro colocado na lista de VEJA dos mais vendidos de 2006 na categoria de não-ficção. Seu sucesso dá uma medida da importância que um cão pode assumir na vida afetiva de seus donos. Nos lares, sempre houve espaço para uma gama variada de animais, dos peixes aos gatos e aves. Com nenhuma dessas espécies, contudo, o homem estabeleceu uma relação tão íntima quanto com os cães. Animais de natureza social, eles são capazes de manter uma comunicação muito efetiva com seus donos.
Para além da fidelidade e de outros atributos que costumam ser associados aos cachorros, é aí que reside o diferencial dessa afeição: ela dispensa as palavras. "É uma relação muito básica. Não há complicações, discussões ou melindres", diz Grogan (veja entrevista com o autor). A especialista Patricia McConnell, autora de Cães São de Marte – Donos São de Vênus, atesta essa impressão: "A chave da amizade entre homens e cães é que se trata de uma ligação puramente emocional". O cão tem uma competência ímpar para comunicar seus desejos – comida, água, carinho, necessidade de um passeio. Também é capaz de ler as emoções de seus donos e responder apropriadamente a elas, num fenômeno que os especialistas chamam de ressonância afetiva.

Ana Araújo
UM POLÍTICO "CACHORREIRO"
O senador Arthur Virgílio tem um poodle e um yorkshire, além de duas pit bulls. Orgulha-se da disciplina deles: "É só eu dizer 'feio' que eles obedecem". Nos cães, encontra uma lealdade rara na política: "Nunca vi um cachorro traidor"
De acordo com um levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação (Anfal Pet), há hoje no Brasil quase 29 milhões de cães de estimação. A concorrência dos gatos é forte – eles já são "maioria" nos lares americanos, e sua população cresce a taxas maiores que as dos cachorros também por aqui (embora ainda não cheguem a representar metade deles). Mas, apesar disso, é difícil imaginar que os bichanos – com o perdão de seus fãs incondicionais – possam oferecer o mesmo consolo afetivo proporcionado por um cão. O próprio John Grogan, aliás, admite que não conseguiria escrever um livro como Marley & Eu se o animal em questão fosse um gato, pela diferença de natureza nessas relações.
Esse entendimento tácito entre as espécies levou milhares de anos para se aprimorar. "O cachorro passou por um processo de domesticação intenso. Podemos dizer que o cão que conhecemos hoje é uma obra humana", diz o zootécnico Alexandre Rossi. A evidência arqueológica mais antiga dessa amizade, uma mulher enterrada junto de seu cão encontrada em Israel, data de 12 000 anos atrás. Mas sabe-se que essa domesticação se iniciou bem antes, há mais de 100.000 anos, quando os ancestrais do homem começaram a dar abrigo aos filhotes de lobos que rondavam seus acampamentos. A relação, a princípio, era de caráter utilitário: o cão ajudava na caça e na proteção, em troca de comida. Presume-se que aqueles animais que se adaptaram melhor ao convívio humano ganharam o que os biólogos chamam de vantagem adaptativa: tinham mais chance de sobreviver e gerar descendência que os demais. Num processo que o naturalista inglês Charles Darwin chamava de "seleção artificial", o homem foi criando cães cada vez mais apropriados a suas necessidades. Pelo mesmo processo, foi se desenhando a incrível variedade de raças caninas, do minúsculo chihuahua ao enorme dinamarquês.

Otavio Dias de Oliveira
AMOR QUE RESISTE AO XIXI
O vídeo que flagra Ana Maria Braga levando um esguicho de xixi de um poodle faz sucesso no YouTube. Dona de nove cães, ela está acostumada com travessuras. "Gostar de cachorro tem a ver com carência. Preciso do carinho deles", diz a apresentadora, que gasta 500 reais por mês com suas mascotes
Os laços afetivos entre as espécies também foram depurados ao longo da evolução. A comunicação foi facilitada, de saída, pelas semelhanças entre a estrutura social do homem e a dos caninos. Tal e qual ocorre nas sociedades humanas, a matilha é um grupo regido pela hierarquia e no interior do qual os indivíduos têm de saber decodificar as emoções de seus pares. "Assim como o homem, o cão tem necessidade de se ligar a outro ser e adotá-lo como referência", diz a veterinária e psicóloga Hannelore Fuchs. É razoável supor que, sempre que uma nova cria surgia, os homens davam preferência não só aos animais que atendiam a suas necessidades práticas, mas também àqueles que tinham traços comportamentais que facilitavam a compreensão mútua. E assim se refinou a capacidade de ambas as espécies de interpretar o humor e as reações do outro.
Estudos recentes ajudam a entender a natureza dessa ligação. Boa parte deles toma como ponto de partida a comparação entre o comportamento do cão e o do lobo, seu parente selvagem. As duas espécies são muito semelhantes geneticamente – a ponto de a reprodução entre elas ser factível. Mas há um abismo comportamental e tanto: o cão hoje dificilmente sobreviveria nas florestas onde os lobos caçam. Seu meio ambiente é o do homem. "Mesmo os cães de rua não vivem sem alguma forma de interação com o ser humano", observa o psicólogo e estudioso do comportamento canino César Ades, da Universidade de São Paulo. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos com animais que vivem em abrigos mostraram que, mesmo não sendo acostumados à presença regular de um dono, eles preferiam a companhia humana à de outro cachorro. "Diferentemente do lobo, o cachorro desenvolveu uma capacidade de interação com o ser humano muito apurada. Mas ele também sabe que o seu dono não é outro cachorro", esclarece Ades.

Lionel Falcon
TAMANHO-FAMÍLIA
Na infância, Adriane Galisteu queria um cão, mas a mãe não permitia. Hoje, a apresentadora divide seu apartamento com George, um golden retriever. Nos passeios, leva pá e saquinho. "Cachorro grande faz cocô grande", diz. O bicho passa seis horas diárias numa "escolinha". Custo: 800 reais por mês
Uma das maiores autoridades mundiais em comportamento canino, o húngaro Ádám Miklósi coordenou uma pesquisa na qual filhotes de cachorro e de lobo foram criados por pessoas, em condições idênticas. Testadas numa série de situações que exigiam comunicação com seus criadores, as duas espécies mostraram resultados diversos. A competência de lobos e cães é semelhante quando se trata de interpretar pistas visuais dos humanos – por exemplo, uma mão apontada na direção de um prato de comida. Mas só os cães fazem "pedidos" ao homem. Em situações nas quais a comida estava escondida numa caixa fechada ou pendurada numa corda que não cedia, os lobos limitavam-se a roer a caixa ou puxar a corda com insistência, enquanto os cachorros tentavam chamar a atenção dos tratadores com latidos e olhares. Sim, olhares: outra conclusão do estudo é que o cão faz mais contato olho a olho com o homem que o lobo. Os lobos também não eram capazes de fazer um sinal conhecido por todo dono de cachorro – eles não sacodem a cauda. Miklósi e sua equipe realizaram ainda pesquisas comparativas de cães e gatos, com resultados similares: os bichanos entendem sinais dos donos, mas não buscam ajuda humana quando enfrentam dificuldades na obtenção de comida. O gato ainda mantém um certo comportamento de caçador. O cachorro é um animal doméstico, que espera a comida do dono.
Para os humanos, o convívio com os cães gera benefícios hoje mais que comprovados à saúde e à mente. Nos últimos anos, os cientistas trouxeram à tona fartas evidências disso. Já se mostrou que as crianças que interagem com eles desenvolvem a coordenação motora e as habilidades socioemocionais mais rapidamente. Os idosos também tiram proveito desse relacionamento. Uma pesquisa americana revelou que, para as pessoas entre 65 e 78 anos, a companhia de um cão contribui decisivamente para evitar a depressão e o isolamento. E, por fim, essa amizade pode ser útil para os doentes. Um exemplo: a pesquisadora Karen Allen, da Universidade do Estado de Nova York em Buffalo, verificou que pessoas com hipertensão que têm cachorros sofrem menos crises em situações de stress.

Nélio Rodrigues/1º Plano
A EDUCAÇÃO PELO CÃO
A cantora Fernanda Takai, da banda mineira Pato Fu, aprendeu noções de responsabilidade com os cães que teve na infância. Com dois deles em casa, ela tenta passar a mesma lição a Nina, sua filha de 3 anos: "Sinto que, no contato com eles, ela está aprendendo a lidar com os limites"
A cooperação entre cachorros e homens alimentou uma quase-santificação do animal. São conhecidas histórias de cachorros que salvaram a vida de seus donos, ou até que morreram ao fazê-lo. A imagem do cão que se sacrifica por seu dono é comovente – mas esse comportamento tem uma explicação bem menos idealizada. "Do ponto de vista da biologia, não existe sacrifício. O que parece comportamento altruísta por parte de um cachorro quase sempre é apenas resultado de seu comportamento de matilha", diz o húngaro Miklósi. Assim, se um cão salva um menino do incêndio, é porque em situações de stress ou perigo o animal tenderia a manter seu grupo todo reunido. E é claro que ele não tem uma noção exata do perigo que corre ao entrar numa casa em chamas.
Isso pode valer para a perspectiva mais objetiva da ciência. Para o dono de cachorro, que tende a avaliar o que vê em seus próprios termos subjetivos, é muito difícil não se impressionar com a lealdade do cachorro. A fidelidade dos cães já era notada na Odisséia, de Homero, composta por volta do século VIII a.C. Quando o herói Ulisses retorna a sua casa na ilha de Ítaca depois de uma ausência de vinte anos, o velho cão Argos é o primeiro a reconhecer seu amo – e morre de imediato, tomado de emoção. Ulisses, por sua vez, deixa escapar uma lágrima por Argos.
Ao longo dos tempos, as virtudes e os defeitos caninos ganharam inúmeras representações culturais (veja quadro). Além da fidelidade, o cão tornou-se símbolo de heroísmo e afetividade – mas também de gaiatice e agressividade. Serviu, ainda, de emblema político. Na França absolutista, o lulu de perua, com suas roupas de grife e seus salões de beleza, virou símbolo da insensibilidade social dos ricos. Por outro lado, pode-se sempre lembrar que o cão também já foi emblema de liberdade. Em seu livro Da Dificuldade de Ser Cão, o escritor francês Roger Grenier conta que certa vez visitou a Checoslováquia comunista na companhia de seu animal de estimação. "Vivam os cachorros", gritou um jovem em Praga quando viu Grenier passeando com seu cão. Era uma forma disfarçada de protestar contra a opressão comunista.
Talvez ninguém tenha tirado tanto proveito da imagem simpática dos cães como os políticos. Sempre que lhes foi conveniente, eles recorreram às mascotes para inflar sua popularidade. Nos Estados Unidos dos anos 20, um político sem carisma como Herbert Hoover se elegeu presidente usando como peça de marketing fotografias em que aparecia ao lado de seu cachorro. De George W. Bush ao presidente Lula, não há político em sã consciência que dispense os cliques junto dos seus bichos de estimação. O ditador nazista Adolf Hitler foi uma exceção à regra. O tirano nunca se deixava surpreender brincando com seus cães, pois isso seria uma exibição inadmissível de um lado terno, humano, que não cabia na figura teatral que cultivava.
As pessoas tendem a ver seu bicho de forma humanizada e a considerá-lo como um filho, um amigo. No fundo, o animal responde à necessidade atávica que todo ser humano tem de cuidar de outro ser vivo. De certo modo, ele funciona como uma criança substituta, especialmente para os donos mais velhos. Não é de estranhar que muitos se intitulem "papai" ou "mamãe" de seu bicho. Nas metrópoles modernas, em que as pessoas tendem a ter menos rebentos, ele preenche uma lacuna afetiva importante. Mesmo adulto, requer cuidados não muito diferentes dos que se dispensam a uma criança, pois é necessário dar-lhe comida, banho e abrigo. Em troca, estará sempre à disposição para brincadeiras e afagos. O cão é um animal gregário, o que marca uma diferença e tanto em relação ao gato, um bicho mais individualista (os felinos em geral não vivem em grupos; a exceção notável é o leão). Em certa medida, ele transfere para suas relações com o homem os traços sociais de uma matilha selvagem. Ou seja, há sempre uma disputa pela dominância.
Na maior parte do tempo, advertem os especialistas, o cão ganha a parada e se estabelece como o maioral do pedaço. São poucos os donos que sabem implementar limites efetivos para seus animais. O predomínio do cão geralmente não traz maiores danos, mas às vezes se traduz em comportamentos incontroláveis e até em agressividade, casos em que se torna aconselhável buscar um adestrador. Quando a relação desanda, há sempre o risco de que a coisa deságüe em tragédia – para o bicho ou, em situações tão raras quanto chocantes, para seu dono. Já se registraram casos de pessoas que foram atacadas e sofreram sérios danos, quando não foram mortas, pelo próprio animal.
A boa notícia é que sempre há a possibilidade de reverter a relação de dominância. Assim como numa alcatéia o lobo-alfa pode a qualquer momento ser desafiado e desbancado por um concorrente mais jovem, também o cachorro que se torna o senhor da casa pode ser colocado na linha pelo dono, se este souber agir com firmeza. Em geral, é possível conseguir o domínio sobre o cachorro com reprimendas firmes e recompensas sempre que ele obedece a uma ordem. Os adestradores propõem um teste definitivo para saber se é o dono ou o cachorro quem manda na casa: coloque um pedaço de carne no chão e diga "não" se o cão se aproximar. O cachorro que aceitou seu papel de "dominado" na relação com o dono só vai comer o petisco quando autorizado. "Todo dono em algum momento se vê diante desse dilema existencial: estabelecer quem manda, o homem ou o cachorro", diz John Grogan, do alto de sua experiência com o bagunceiro Marley. Mas quem é capaz de resistir às ordens de seu amado totó?

Moral canina
As virtudes e os defeitos humanos representados pelos cães
FIDELIDADE
O amor incondicional de um cachorro pelo dono já era tema da Odisséia, escrita pelo grego Homero no século VIII a.C.: Argos, o cão do herói Ulisses, é o primeiro a reconhecê-lo depois de vinte anos de ausência. Ao vê-lo, ele abana o rabo de alegria – e morre em seguida

Divulgação

VAGABUNDAGEM

Cães vadios sempre foram associados à gaiatice e à auto-suficiência. Não faltam representações românticas disso, como o desenho A Dama e o Vagabundo. A metáfora está na origem da expressão "cinismo" (do grego kinos, ou cão). Na Grécia antiga, os filósofos da escola do mesmo nome pregavam uma vida despojada à maneira desses bichos
HEROÍSMO
Os cães são um símbolo de bravura. Merecidamente, diga-se: eles auxiliam bombeiros em resgates, dão apoio à polícia e atuam em frentes de batalha, como ocorreu nas duas guerras mundiais. São, ainda, cobaias – caso da cadela russa Laika, lançada ao espaço em 1957, numa viagem sem volta. Na ficção, essa marca foi consagrada por personagens como Lassie e Rin Tin Tin
Walt Disney

AFETIVIDADE

O amor do cão por sua prole faz dele um animal "família". Poucas cenas traduzem de forma tão eloqüente os laços entre pais e filhos quanto a de uma cadela amamentando seus filhotes. Essa alegoria foi fartamente explorada na literatura e no cinema – o filme 101 Dálmatas é um exemplo

AGRESSIVIDADE
A ferocidade é um traço negativo. Não à toa, na mitologia grega as portas do Inferno são guardadas por Cérbero, um cão de três cabeças. Esse lado do comportamento canino é identificado com a maldade – é o que se transmite, por exemplo, na imagem de um pit bull espumando de raiva

Animais políticos
Com raras exceções, os poderosos de plantão adoram ser flagrados em companhia de cães – é uma forma de venderem uma imagem mais humana de si próprios. Eis alguns exemplos
HERBERT HOOVER (1874-1964)
Nos anos 20, o político pouco carismático conseguiu eleger-se para a Presidência americana. Como arma de marketing, veiculou fotografias em que aparecia com ares de bonachão ao lado de seu cachorro, King Tut


George Skadding/Time & Life Pictures/Getty Images

FRANKLIN D. ROOSEVELT
(1882-1945)
O presidente que conduziu os Estados Unidos na II Guerra Mundial era inseparável de seu terrier escocês, Fala. Certa vez, foi acusado de deslocar um navio de guerra só para buscar o cachorro, que havia sido deixado para trás numa viagem. Roosevelt declarou que, como escocês, Fala ficou com "a alma furiosa" com o boato

ADOLF HITLER (1889-1945)
O ditador nazista morria de amores por seus cães – mas achava que não ficava bem para sua imagem ser flagrado em público ao lado deles. Por isso, não gostava de ser fotografado com os cachorros

Doug Mills/AP


GEORGE W. BUSH

O presidente americano tem dois cães, os terriers escoceses Barney e Miss Beazley (uma terceira mascote, a springer spaniel inglesa Spot, morreu em 2004). E faz questão de afagá-los em público – mais ainda depois que seu governo entrou em crise



Ana Nascimento/Ag. Brasil

LULA

O presidente brasileiro volta e meia também aparece junto de Michele, a fox terrier da primeira-dama, Marisa Letícia. Em 2003, aliás, o fato de um carro oficial ter sido usado para transportar a cadelinha causou protestos no Congresso Nacional

Cachorros difíceis valem mais a pena
O jornalista americano John Grogan está há dezoito semanas na lista de mais vendidos de VEJA com Marley & Eu. Com 140.000 exemplares vendidos no Brasil, o livro é uma bem-humorada crônica da convivência de Grogan com um cão labrador. Nesta entrevista, ele explica por que a ligação com os cães é tão especial
O QUE HÁ DE TÃO INTERESSANTE NO SEU CACHORRO QUE EXPLIQUE O SUCESSO DO LIVRO?
Marley & Eu não é apenas sobre um cachorro. É a história da relação desse cachorro com uma família. O livro mostra como um cão mudou a vida de um jovem casal e, mais tarde, dos seus filhos pequenos. Os leitores se identificam com isso. Recebo cartas e e-mails do mundo todo, inclusive do Brasil. São pessoas que viveram histórias muito parecidas com aquela que eu relato. Isso talvez explique o sucesso. O livro fala de uma experiência que muitas pessoas já tiveram: ter um cachorro que tocou sua vida.

QUE ESPÉCIE DE LIGAÇÃO EXISTE ENTRE AS PESSOAS E OS CÃES?
É uma relação muito básica. Não há complicações, discussões, melindres. É uma ligação pura, que vem do coração. Um apego emocional.

MARLEY DESTRUÍA MÓVEIS, OBJETOS DA CASA. QUANTO CUSTOU TER UM CACHORRO TÃO BAGUNCEIRO?
Não cheguei a fazer a conta na ponta do lápis. Mas, como estimativa geral, Marley deve ter custado algo na casa de 3 000 a 4 000 dólares por ano, contando comida, gastos com veterinário e medicamentos, além da destruição que ele provocava. Muitas das coisas que ele destruía eu mesmo consertava. Ele gostava de cavoucar as paredes, o que apurou as minhas habilidades de pedreiro amador. Esses remendos não custavam muito dinheiro, mas consumiam tempo. Ele também estragou itens mais caros, como um sofá e um colchão novo, que ele furou de lado a lado. Agora que o livro se tornou um best-seller, Marley pagou todas as suas dívidas. O prejuízo foi recuperado, e com juros.

IMAGINE QUE VOCÊ NÃO HOUVESSE ESCRITO O LIVRO. VALERIA A PENA TER TIDO O CÃO MESMO ASSIM?
Sem dúvida. Marley viveu treze anos conosco. Quando o segundo de nossos três filhos nasceu, estivemos muito perto de abandonar o cachorro. Tínhamos dois bebês pequenos em casa, e Marley continuava destruindo coisas. Dava muito trabalho. Mas não desistimos dele, felizmente. Antes mesmo da sua morte, nos últimos dias de Marley, minha mulher e eu já rememorávamos os treze anos do cachorro com nostalgia. Sabíamos que Marley havia sido uma das melhores experiências de nossa vida.

VOCÊ TEM OUTRO LABRADOR AGORA. QUE TAL O NOVO CACHORRO?
É uma fêmea. Eu a chamo de Gracie, a anti-Marley.

POR QUÊ?
Gracie é o exato oposto de Marley. Ela é tranqüila, preguiçosa. Quase não faz nada de errado. Eu digo para ela: "Gracie, eu nunca vou escrever um livro sobre você. Você é muito tediosa".

E UM CACHORRO TEDIOSO PERMITE UMA RELAÇÃO TÃO PRÓXIMA QUANTO AQUELA QUE O SENHOR TEVE COM MARLEY?
Eu tenho uma teoria: é com os cachorros difíceis que temos uma ligação mais profunda. Somos obrigados a investir tanto de nós mesmos para fazer essa relação funcionar que se torna impossível não ter sentimentos muito intensos por esses animais. Com os cachorros tranqüilos, o investimento pessoal é bem mais leve – nós apenas coexistimos com eles. Eu amo Gracie do fundo do coração, mas Marley era um animal de estimação memorável. Foi o cachorro da minha vida.

O SENHOR ACREDITA QUE UM LIVRO COMO MARLEY & EU PODERIA SER ESCRITO SOBRE UM GATO?
Eu diria que não. Não tenho gatos, embora goste deles. De amigos que têm gatos, eu observo que o investimento pessoal que eles exigem é bem menor.

O SENHOR E SUA MULHER, JENNY, COMPRARAM O LABRADOR MARLEY COM A IDÉIA DE QUE CUIDAR DE UM CÃO PODERIA SER UM BOM ENSAIO PARA QUEM DESEJA TER FILHOS. O SENHOR RECOMENDARIA UM CÃO PARA O CASAL COM PLANOS DE AUMENTAR A FAMÍLIA?
Com Marley, Jenny e eu tivemos de tomar conta de uma criatura pela primeira vez na nossa vida de casal. Ele dependia de nós para tudo. Isso nos ajudou a desenvolver um senso de responsabilidade importante para quem deseja ter filhos. Mas não recomendo que alguém compre um cão só para treinar seus dons paternais. O mais importante é gostar de cachorros.

QUAL FOI A IMPORTÂNCIA DE MARLEY PARA SEUS TRÊS FILHOS?
O melhor presente que um pai pode dar a um filho – afora uma boa educação, é óbvio – é um animal de estimação. O animal ensina lições muito importantes. Ajuda a desenvolver empatia, compaixão e bondade por outros seres. E, quando o animal envelhece, a criança tem a oportunidade de entender a morte num contexto relativamente seguro, sem traumas. O último presente de Marley a nossa família foi este: ele tornou mais clara, para meus filhos, a concepção da morte, a idéia de que a vida é finita. É muito mais fácil para uma criança aprender isso com um cão do que com a morte dos pais ou dos avós. Meu pai morreu cerca de um ano depois de Marley. Meus filhos conseguiram entender melhor a morte do avô graças ao cachorro.

NO LIVRO, O SENHOR DÁ ALGUNS CONSELHOS SOBRE COMO ESCOLHER UM BOM FILHOTE DE CACHORRO – COISAS QUE NÃO SABIA QUANDO COMPROU MARLEY. O SENHOR SEGUIU ESSES PASSOS PARA COMPRAR GRACIE?
Sim. Uma das coisas mais importantes ao comprar um cachorro é buscar uma raça que seja compatível com o seu estilo de vida. Diferentes raças têm diferentes personalidades. Também é importante comprar o cão de um criador de qualidade, em quem você confie. Evite os criadores irresponsáveis, que tiram uma ninhada depois da outra para conseguir o máximo de dinheiro possível. E o ideal é encontrar um criador que mantenha os dois pais em sua casa. Se você conhecer o pai e a mãe do seu cãozinho, terá uma boa indicação da personalidade que ele terá. Fizemos isso com Gracie. Funcionou: ela é uma cachorra bem-comportada.

QUAL SERIA A PERSONALIDADE DE UM DONO DE LABRADOR?
Se você quer um labrador ou algum cachorro de grande porte, é necessário ter espaço para ele. E é preciso assumir o compromisso de exercitá-lo todos os dias. Se você faz o tipo sedentário, que passa o dia em casa vendo TV, o labrador não é o cachorro certo. Também não é um cachorro para quem trabalha muito e fica fora de casa doze horas por dia. Quando são deixados sozinhos, os labradores muitas vezes desenvolvem problemas de personalidade e se tornam muito destrutivos. Trata-se de animais sociais, que adoram a companhia humana – e por isso são a raça mais popular nos Estados Unidos hoje. Você precisa encontrar a raça que caiba no seu estilo de vida.

ALGUNS DONOS NÃO LEVAM SUA PAIXÃO POR CÃES AO EXTREMO, COM CABELEIREIROS, PERFUMES, ROUPAS?
Sim. Eu vejo gente até furando a orelha de seus cães para colocar brincos caros. Em certo sentido, o cachorro pode ser um hobby. Mas é imoral gastar fortunas com um cachorro quando há crianças passando fome. E os cães não exigem nada disso. Eles precisam de comida, de atendimento veterinário regular e de donos que os tratem bem. Algumas pessoas tratam seus cachorros como crianças com pêlos. Podemos amá-los muito, como eu faço, mas eles não são crianças. São animais, e devem ser tratados de acordo.

Uma questão de linguagem
Selecionado ao longo de séculos de evolução por suas habilidades de interação com as pessoas, o cachorro é um produto do ser humano. Mas ainda subsistem problemas de comunicação entre as duas espécies. Eis algumas dicas para superá-los
Ilustrações Lucia Brandão

• O abraço é um comportamento de primatas, como o chimpanzé e o homem. Cachorros não expressam afeto desse modo. Aqueles acostumados à companhia humana toleram, mas não apreciam o gesto. Se quiser demonstrar afeto, opte pelo carinho atrás da orelha ou na barriga. Nunca abrace um cão que você não conhece – a coisa pode acabar em mordida.
• Do seu lado, os cães gostam de expressar afeto lambendo o rosto do dono – o que nem todas as pessoas suportam bem.
• Cães não têm memória do que fazem de certo ou errado. Se você chegou em casa e descobriu o sofá destruído, não adianta xingar seu cachorro – ele não vai entender por que você está zangado. A prática de esfregar o focinho do bicho no xixi que ele fez no tapete também só gera confusão e humilhação. Repreenda seu cão somente quando você o pega no ato.
• Cães transferem para sua relação com os donos parte da hierarquia de uma matilha. A questão é quem será o líder – o dono ou o cão. Para evitar problemas futuros, mostre quem manda desde o início. Estabeleça limites e dê ordens firmes desde cedo a seu filhote.
• Muitos donos chamam a si mesmos de "mãe" ou "pai" do cachorro. Não há nenhum problema nisso, desde que se tenha em mente que um cão tem necessidades muito diferentes das de um ser humano. Ele não é uma criança – a não ser em um ponto específico: como as crianças, os cães precisam de limites bem estabelecidos para ser bem educados.
• Cuidado com os exageros. Seu cão pode até não se importar de vestir roupa, mas perfumes, sobretudo, podem ser agressivos para o animal – lembre que ele tem um olfato sensível.
• Acostumados à comunicação verbal, seres humanos às vezes não prestam atenção à sua linguagem corporal – e mandam sinais contraditórios para seu cão. É comum uma pessoa inclinar-se para a frente na hora de chamar seu animal. Esse gesto, porém, costuma ser interpretado pelo cão como uma ordem para parar seu movimento. Dê suas ordens de uma posição ereta.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Unidade II. CONSTITUIÇÃO, PODER CONSTITUINTE, REFORMA CONSTITUCIONAL


a)                                       Noção de Constituição
b)                                       Sentidos de Constituição
c)                                       Classificações das constituições
d)                                       Poder constituinte: definição e espécies
e)                                       Poder constituinte Decorrente e Federalismo
f)                                       Poder Constituinte Derivado e limites à reforma constitucional
g)                                       Recepção, repristinação, desconstitucionalização

 O que é Constituição?
Luiz Fernando Coelho define a constituição “como uma lei suprema, estabelecida pelo povo em virtude de sua soberania, para servir de base à sua organização política, dispor sobre os modos de criação das outras leis e estabelecer os direitos e deveres dos seus membros”.
Ao lado desta, inúmeras outras definições podem ser elencadas, ao longo da história. “Para Locke, constituição é o pacto social firmado entre o povo e o rei; para Rousseau, um contrato social firmado pelos indivíduos entre si; para Barthélémy et Duez, uma suprema declaração unilateral de vontade do povo; para Pedro Calmon, o corpo de leis que rege o Estado, limitando o poder do governo e determinando a sua realização; para Carlos Maximiliano, o complexo de regras que determinam a estrutura e o funcionamento dos poderes públicos e asseguram a liberdade dos cidadãos”. Todas as definições, portanto, apontam para um Poder organizador da ordem estatal.
 O que é LEI ?norma de conduta genérica e prospectiva, emanada dos órgãos do Estado (Legislativo, especialmente, mas existem exceções), imposta coativamente à obediência de todos, regular em face da Constituição e supostamente legitimada pelo sufrágio universal. A lei é a expressão normativa do poder soberano do Estado. É preciso questionar também os limites do poder legiferante do Estado.
O que é supremacia constitucional?
O que é Constituição, em sentido sociológico?
Constituição em sentido sociológico é aquela concebida como fato social, e não propriamente como norma. O texto positivo da Constituição seria o resultado da realidade social do País, das forças que imperam na sociedade, em determinado momento histórico. Ferdinand Lassalle (O Que é uma Constituição, Editora Líder, 2001), representante dessa visão sociológica, afirma que a Constituição do País “é a soma dos fatores reais de poder que regem esse País, em um determinado momento histórico”.
Para Lassalle (1.862), convivem no Estado duas Constituições: uma real, efetiva, que corresponde à soma dos fatores reais de poder, e outra, escrita, por ele chamada “folha de papel”, que só teria validade se correspondesse à Constituição real, pois num eventual conflito, a Constituição escrita (folha de papel) sucumbiria perante a Constituição real, em virtude da força dos fatores reais de poder (os grupos dominantes, ou a elite dirigente).
O que é Constituição, em sentido político?
Constituição em sentido político é aquela considerada “uma decisão política fundamental”, cujo teórico principal foi Carl Schmitt. Para ele, a validade de uma Constituição não se apóia na justiça de suas normas, mas na decisão política que lhe dá existência. Para chegar a esse conceito de Constituição, Schmitt estudou e classificou os conceitos de constituição em quatro grupos: sentido absoluto, relativo, positivo e ideal.
            Em sentido absoluto, a Constituição é o próprio Estado, é a concreta situação de conjunto da unidade política e da ordem social de um certo Estado. Em sentido relativo, a Constituição aparece como uma pluralidade de leis particulares. Em sentido ideal, a Constituição identifica-se com certo conteúdo político e social, só existindo Constituição quando o documento escrito corresponder a certo ideal de organização política. Em sentido positivo, a Constituição é considerada como uma decisão política fundamental, decisão concreta de conjunto sobre o modo e a forma da existência da unidade política, só sendo possível um conceito de Constituição quando se distingue Constituição de leis constitucionais, sendo este último sentido (positivo) o verdadeiro conceito de Constituição.
Schmitt, assim, estabeleceu uma diferença entre Constituição e leis constitucionais: a Constituição disporia somente sobre as matérias de grande relevância jurídica, sobre as decisões políticas fundamentais (organização do Estado, princípios democráticos e direitos fundamentais, entre outras); as demais normas integrantes do texto da Constituição seriam, tão somente, leis constitucionais.
O que é Constituição, em sentido jurídico?
            Constituição em sentido jurídico é aquela compreendida de uma perspectiva estritamente formal. Hans Kelsen, jurista austríaco, considera a Constituição como norma, e norma pura, como puro dever-ser, sem qualquer consideração de cunho sociológico, político ou filosófico. 
            Kelsen desenvolveu dois sentidos para a palavra Constituição: a) um sentido lógico-jurídico e b) um sentido jurídico-positivo.
            Em sentido lógico-jurídico, a Constituição significa a norma fundamental hipotética (pensada, pressuposta), cuja função é servir de fundamento da validade da Constituição em sentido jurídico-positivo. Essa norma fundamental hipotética, fundamento da Constituição positiva, teria, basicamente, o seguinte comando: conduza-se na forma ordenada pelo autor da primeira Constituição. Como Kelsen não admitia como fundamento da Constituição positiva algo de real, foi obrigado a desenvolver este fundamento meramente formal.
            Em sentido jurídico-positivo, a Constituição corresponde à norma positiva suprema, conjunto de normas que regula a criação de outras normas, sem qualquer consideração de cunho sociológico, político ou filosófico. Seu fundamento é a norma fundamental hipotética.
Como podem ser classificadas as Constituições?
1. QUANTO AO CONTEÚDO:  Materiais e  Formais.
2. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas e Votadas ou promulgadas ou populares.
3. QUANTO À FORMA: Escritas e Não escritas ou consuetudinárias.
4. QUANTO À SISTEMÁTICA: Codificadas e não codificadas. 
5. QUANTO À EXTENSÃO: sintéticas e analíticas.
6. QUANTO À ESTABILIDADE: Imutáveis, Fixas, Rígidas, Flexíveis e Semi-rígidas ou semi-flexíveis.
7. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas e Ecléticas. 
O que é controle de constitucionalidade?
 O que é PODER CONSTITUINTE?
O que são PODERES CONSTITUÍDOS?
O que é ESTADO?
O que é Poder Constituinte Originário?
O que é Poder Constituinte Derivado?
O que é Poder Constituinte Decorrente? Relação com o Federalismo.
O que é Reforma Constitucional?
O que são cláusulas pétreas?
Quais os limites ao poder de reforma constitucional?
O que é Revisão Constitucional?
O quer é Mudança Constitucional?
O que é recepção?
- pelo fenômeno da recepção, a Constituição nova recebe as leis editadas sob o império de Constituições anteriores, se com ela forem compatíveis. Assim, toda a normatividade infraconstitucional terá como parâmetro a nova Constituição, subsistindo no ordenamento somente as normas que forem compatíveis com esta.
O que é repristinação?
- Instituto pelo qual se restabeleceria a vigência de uma lei revogada, em decorrência da revogação da lei que a tinha revogado. Ex: a lei "A" é revogada pela lei "B"; advém a lei "C", que revoga a lei "B" e diz que a lei "A" volta a viger. Deve haver dispositivo expresso. No direito brasileiro, não existe repristinação automática. Nem mesmo uma nova Constituição poderia repristinar automaticamente uma lei. Ver a L.I.C.C, art. 2°, §3°.
O que é desconstitucionalização?
- O fenômeno da desconstitucionalização consiste em recepcionar como lei ordinária dispositivos da Constituição revogada não repetidos pela superveniente, mas com ela materialmente compatíveis. A sua aceitação tem dividido a doutrina. Vozes abalizadas, como a de José Afonso da Silva e Maria Helena Diniz, acenam em sentido positivo. Por outro lado, Celso Ribeiro Bastos e J. Gomes Canotilho o rejeitam. O próprio Supremo Tribunal Federal titubeia, já tendo decidido contra e a favor. Pela lógica, uma nova Constituição revoga integralmente a anterior e, portanto, não haveria como admitir a desconstitucionalização.

Leitura complementar:





Reflexões desabusadas sobre o abuso do poder político

sábado, 1 de janeiro de 2011

Dilma promete erradicar pobreza extrema e diz: "Lula estará conosco"

Nos seus dois primeiros pronunciamentos após tomar posse, a presidente Dilma Rousseff prometeu erradicar a pobreza extrema, disse que estenderá a mão a adversários e reverenciou várias vezes o mentor e antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

O roteiro de Dilma neste sábado (1º), antes de se tornar a primeira mulher presidente do Brasil, começou com um desfile pela Esplanada dos Ministérios, em carro fechado por conta das chuvas na capital federal. Ela assumiu o cargo oficialmente em uma sessão do Congresso. Mais tarde, recebeu a faixa presidencial de Lula, desceu com ele a rampa do prédio da Presidência da República e recebeu líderes estrangeiros.

Depois de dar posse a seus ministros, Dilma segue para o Palácio do Itamaraty, onde receberá convidados em um coquetel. Lula não estará presente: já se dirige para São Paulo, onde visitará o ex-vice-presidente José Alencar, internado no hospital Sírio-Libanês. Em seguida, ele vai a São Bernardo do Campo, seu berço político, que prepara uma recepção para o seu morador mais ilustre.

Em seu discurso no Congresso (assista ao lado), Dilma afirmou que "a luta mais obstinada" do seu governo será "pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos". "Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do presidente Lula, mas ainda existe pobreza no Brasil", disse a presidente, no discurso de cerca de 40 minutos. "Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa."

No parlatório do Palácio do Planalto, ela repetiu a menção ao combate à pobreza e acenou para a oposição. "Minhas mãos vão estar abertas e estendidas para todos. Até àqueles que não nos acompanharam no processo eleitoral", afirmou ela, já com a faixa presidencial. "Buscarei o apoio e respeitarei a crítica", completou ela em outro momento do segundo discurso após ser empossada.

Choro

Antes do discurso, Dilma leu e assinou, juntamente com o vice-presidente Michel Temer, o compromisso constitucional de posse, quando se tornou oficialmente a primeira presidente do Brasil. Depois disso, chorou em dois momentos: ao dizer que é agora "a presidenta de todos os brasileiros" e ao recordar os companheiros da sua geração que, na luta armada contra a ditadura militar, "tombaram pelo caminho".
Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixou para todos nós
Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres também possam, no futuro, serem presidentas
Muitos companheiros da minha geração que tombaram pelo caminho não podem compartilhar deste momento
Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte
Dilma Rousseff, em discurso de posse


Mulheres que dividiram cela com Dilma nos anos 70 estavam presentes no Palácio do Planalto e se emocionaram com a subida da colega. A mãe e a tia da presidente estavam na primeira fileira de convidados, bem diante da rampa que dá acesso ao escritório do governo.

Presa por três anos na década de 70 e torturada durante o regime militar, Dilma disse que chega à presidência sem ressentimento nem rancor. A presidente insistiu em lembrar a simbologia de uma mulher chegar ao mais alto cargo do país. "É a primeira vez que uma faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher", afirmou logo no início de seu primeiro discurso como mandatária.

"Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres também possam, no futuro, serem presidentas; e para que -no dia de hoje- todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher", disse. No discurso do parlatório, Dilma embargou a voz ao se referir à "grandiosidade" do ex-presidente que fez dela sua candidata à sucessão apesar de seu perfil de técnica que nunca tinha disputado uma eleição sequer.


Lula

O nome do antecessor foi o mais mencionado pela presidente em seus dois discursos. "Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida", disse ela no Congresso. "Ele levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro de seu país". No parlatório, ela o chamou de "maior líder popular" do Brasil.

"Primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher"


Após subir a rampa do Palácio do Planalto e abraçar o homem que a projetou, Dilma afirmou que, mesmo não ocupando cargos políticos, o ex-presidente continuará contribuindo com o governo. "Lula estará conosco. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza", afirmou, após receber a faixa. "A tarefa de suceder Lula é desafiadora. Saberei honrá-la e irei avançar."

"Estou feliz como raras vezes estive na vida, com a oportunidade que a história me deu de ser a primeira mulher na história a governar o Brasil. Mas estou mais feliz pela honra de seu apoio, de ter o privilégio de sua convivência e ter apreendido com sua imensa sabedoria", disse Dilma, referindo-se a Lula.

O segundo discurso da presidente durou menos de 13 minutos e teve um tom mais informal do que o primeiro pronunciamento. O tom utilizado lembrou o do texto lido por ela após sua vitória nas eleições de outubro. O vice de Lula, José Alencar, internado em São Paulo, foi lembrado como "incansável lutador" e "companheiro".

Dilma, que teve dificuldades com setores religiosos durante a campanha, citou Deus em seus discursos: "Que Deus abençoe o Brasil e o povo brasileiro. Que todos nós juntos possamos construir um mundo de paz. Eu darei todo meu empenho para fazer com que as transformações dos últimos oito anos continuem, prossigam e se expandam", afirmou.

Coro, só para Lula

Momentos antes de passar a faixa presidencial a Dilma, Lula chegou ao saguão do Palácio do Planalto risonho. Cumprimentou ministros com tom debochado: "Juízo, meninos", repetiu. A mulher dele, Marisa Letícia, chorou ao abraçar amigas. Por pelo menos um minuto, os convidados entoaram o nome do agora ex-presidente. A nova ocupante do cargo não teve o nome gritado dentro do palácio nenhuma vez.

Entre os convidados, estavam os ex-ministros-chefes da Casa Civil, Erenice Guerra e José Dirceu – ambos excluídos do governo anterior em escândalos de corrupção. Erenice é suspeita de tráfico de influência e nepotismo, enquanto Dirceu deixou o cargo ao ser indicado como articulador do mensalão. Os dois bateram palmas para Lula, que não chegou a cumprimentá-los ao sair do Palácio do Planalto.

Dilma e Lula se despediram no meio da pista que separa a rampa da Praça dos Três Poderes, onde milhares de pessoas assistiam à cerimônia. O ex-presidente passou cerca de cinco minutos cumprimentando populares, antes de se dirigir à Base Aérea de Brasília para retornar a São Paulo. Dilma subiu a rampa novamente ao lado de Temer. Já não havia coro por Lula nem quem a recebesse na entrada do Palácio.

Hugo Chávez chega a Brasília para assistir à posse de Dilma

Presidente venezuelano Hugo Chávez chega a Brasília para acompanhar a posse de Dilma Rousseff. Foto: Twitter/Reprodução O líder venezuelano Hugo Chávez assistirá à posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, em Brasília



O avião do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aterrissou na manhã deste sábado em Brasília, onde o líder venezuelano assistirá à posse da presidente eleita, Dilma Rousseff. A cerimônia, com início previsto para as 14h30, tem confirmada a presença de representantes de mais de 130 países.
A posse da primeira mulher ao cargo de presidente do Brasil vai contar com a presença da secretária de Estado amerciana, Hillarry Clinton. A presidente da Argentina confirmou no início da semana que não participará do ato. O chanceler Héctor Timerman, que substituirá Cristina na solenidade, informou que a presidente argentina não virá ao Brasil por motivos pessoais. "É um ano complicado (para Cristina). É a primeira festa (de fim de ano) que ela passa sem o companheiro", disse Timerman, em alusão ao marido da presidente, o ex-chefe de Estado argentino, Néstor Kirchner, morto em outubro.
A posse de Dilma Rousseff começa com um desfile em carro aberto na Esplanada dos Ministérios, saindo da Catedral de Brasília em direção ao Congresso, onde ela faz seu primeiro discurso como presidente. Em seguida, Dilma subirá a rampa do Palácio do Planalto, onde receberá a faixa das mãos de Luiz Inácio Lula da Silva. No parlatório, ela realizará um discurso para o público que estará na Praça dos Três Poderes. Depois, vai para um coquetel com autoridades estrangeiras no Palácio Itamaraty, com início previsto para as 19h.